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Três super dicas das neurociências para melhorar sua memória


Todos nós sabemos que aprender não se resume simplesmente em memorizar. No entanto o aprendizado efetivo precisa de uma memória bem concatenada e vitaminada para não dar branco na hora H.

Daí a importância de manter essas engrenagens bem azeitadas
.

Trazemos aqui algumas dicas fundamentadas em recentes conquistas das neurociências e que intuitivamente alguns estudantes já utilizam com excelentes resultados, tanto para incrementar sua memória quanto o aprendizado.

1. Realizar conexões em rede

Toda a informação nova quando conectada a pelo menos uma informação já memorizada tem maiores chances de ser recordada. À medida que o número de conexões vai aumentando a probabilidade de resgate dessa nova informação na memória vai se aproximando dos 100%.

Um dos exemplos mais singelos dessa aplicação é o utilizado por alguns políticos, quando não querem esquecer o nome de um eleitor. Eles simplesmente associam mentalmente o nome desse eleitor ao de outra pessoa de mesmo nome e que pertença a seu contato mais corriqueiro, seja por alguma característica física ou aspecto de sua personalidade que apresentam em comum. Logo, logo terá uma rede de Josés, Eduardos, Marias, etc armazenada em sua memória.

Notadamente quando estamos estudando conceitos científicos, por exemplo, e efetuando conexões entre as informações dentro desse próprio campo de estudo, ocorre um favorecimento pronunciado do aprendizado como um todo, não apenas a simples memorização de um conceito, mas sua compreensão como parte de um corpo harmônico de conhecimentos.

2. Utilizar o potencial emocional-afetivo

Está comprovado que as emoções, os sentimentos e as relações de afeto interferem significativamente na construção das memórias e de seu resgate.

Efetivamente quando colocamos “o coração” naquilo que fazemos as chances de que o recordemos são maiores.

É daí que etimologicamente se origina o saber de “cor” (cor = coração em latim).

Tais vínculos podem ser naturais, como por exemplo, a facilidade que temos em recordar os momentos mais felizes (ou os mais tristes) de nossas vidas.

Ou mesmo a vinculação de lugares, cores, odores, sabores e sons aos sentimentos, ou estados emocionais vividos. Como o cheiro da terra molhada que reacende recordações vívidas da infância ou ouvir tal música que faz recordar as sensações vividas em determinado momento da adolescência, etc.

Ou de aprender aquele conteúdo que gostamos ou estamos inclinados a gostar.

Também esse tipo de vinculação pode ser criado, como, por exemplo, a facilidade que encontramos em aprender os conteúdos ministrados por professores bem humorados e que usam do lúdico como uma de suas técnicas de ensino e que também são capazes de invocar as emoções mais elevadas no instante em que ensinam.

Daí que o favorecimento da memória, e também do aprendizado, dependem fundamentalmente de nosso estado emocional.

Cabe então aquela perguntinha incômoda: estou motivado para aprender? Quero mesmo aprender isso?

Nas palavras de Rubem Alves o esquecimento é o vômito da mente.  E o ato de vomitar alguma coisa inútil ou — que não nos faz bem — é sinal de saúde!

3. Realizar reiterações

Muitos estudantes utilizam a técnica de repetir em voz alta uma informação a ser memorizada ou até mesmo escrever várias vezes em papeis de rascunho a fórmula matemática, a equação química ou o termo da biologia e assim por diante.

A repetição em si favorece a memorização, como o observado, por exemplo, no aprendizado de idiomas, de técnicas esportivas, de coreografias, etc.

No entanto, a repetição tende a ser exaustiva e na maioria das vezes monótona e os resultados nem sempre são os esperados quando computado todo o esforço.

Por isso, no lugar de simplesmente repetir mecanicamente é recomentada a reiteração, ou seja a repetição vinculada ao uso de um corpo completo daquele tipo de conhecimento.

Numa analogia: é bem mais produtivo, numa aula de um idioma estrangeiro utilizar vocábulos de forma reiterada como parte de uma conversação do que simplesmente repeti-los isoladamente.

Reiterar é reviver várias vezes aquela experiência com um aprendizado a mais em cada uma de suas repetições. Em suma, repetir e aperfeiçoar.

Bônus: uma reflexão filosófica

A reiteração usa a repetição de forma inteligente e conectada, valendo-se tanto da conexão cognitiva feita pela natureza da informação quanto da forma sensível-afetiva envolvida valendo-se da intensidade de sua carga emocional.

Se observarmos nossa vida diária, existe uma rotina que segue ciclos mais ou menos constantes e repetidos.

Podemos utilizar esses ciclos para reiterar nossa capacidade retentiva, melhorando nossa capacidade de recordar e também de aprender ou, como muitos fazem, ligar o piloto automático e deixar a vida passar sem ensinar e nem aprender nada.

A escolha é nossa:

Fazermos da nossa vida uma experiência memorável ou deixar passar, pois afinal não há nada que valha à pena recordar.

Fonte: hypescience
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