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A lenda caneta espacial da NASA que custou milhões de dólares


Há uma famosa lenda de que os EUA gastaram milhões de dólares no desenvolvimento de uma “caneta espacial”, capaz de escrever de cabeça para baixo, para usar em suas missões, enquanto os russos simplesmente usavam um lápis.

Acontece que nada disso é verdade.

A origem do boato

A famosa “Space Pen” (“caneta espacial”) foi desenvolvida por uma empresa privada e vendida por um preço muito baixo para a NASA, como parte de uma jogada de marketing. Os soviéticos, por sinal, usaram o mesmo produto também.

Porém, a lenda de fato veio na esteira de um outro tumulto muito real. A missão Apollo se envolveu em escândalo quando o público descobriu que os astronautas estavam usando um lápis que custava US$ 128,89 (no câmbio atual, cerca de R$ 409). As pessoas ficaram indignadas ao saber que a NASA tinha pedido mais de quatro mil dólares em lápis, e um inquérito foi aberto sobre o assunto.

No inquérito, um representante da agência espacial explicou que os lápis eram feitos de fibras especiais, e tinham custado uma pechincha de US$ 1,75 (R$ 5,56). O dinheiro extra veio do fato de que eles precisaram ser modificados para que pudessem ser anexados ao interior da nave espacial e usados por alguém usando um traje espacial.

Na realidade, os lápis eram uma terrível ideia. Lápis podem quebrar, enviando resíduos no ar. Eles precisam ser apontados. E queimam, o que nunca é bom no espaço. A caneta era um instrumento mais prático, mas após o fiasco do lápis caro, a NASA não estava disposta a desenvolver algo novo.

O salvador da pátria

E não precisou. Paul Fisher, da Fisher Pen Company, investiu seu próprio dinheiro na invenção.

A Fisher Space Pen representou uma melhora acentuada em relação a canetas convencionais. Naquela época, a tinta em uma esferográfica raramente era mantida num recipiente selado. Exposta ao ar, secaria e entupiria a caneta. Fisher desenvolveu um cartucho de tinta vedado para seu produto. Mas ainda havia um problema.

Se os cartuchos fossem abertos, a tinta fluiria livremente. Se fossem selados, quando a tinta fluía para baixo, criava um vácuo na parte superior do cartucho. Logo, ela parava de fluir e a caneta parava de funcionar.

Para combater isso, Fisher pressurizou o cartucho com nitrogênio. No entanto, o nitrogênio empurrando a tinta para baixo se provou ineficaz. Ela acabava sendo forçada a sair da caneta, causando vazamentos.

A solução

Fisher tinha que parar o vazamento, sem recuar na pressão. Não havia solução estrutural na caneta, por isso ele modificou a tinta. Em vez de um líquido normal, Fisher desenvolveu um líquido tixotrópico. Outro líquido tixotrópico é o ketchup. Segure o frasco de cabeça para baixo, e não acontece nada. Agite-o, e assista-o tomar o seu prato.

Fisher desenvolveu uma tinta que era mais semelhante a um gel. Quando agitada, fluía livremente. Quando parada, ficava na caneta, mesmo sob pressão.

Fisher ofereceu a caneta especial para a NASA por um preço baixo de US$ 1,98 (R$ 6,29), e logo ela estava voando em missões com astronautas. Isso era exatamente o tipo de marketing que Fisher queria.

A Space Pen pegou e ainda é vendida hoje, embora outras empresas tenham produtos similares com a mesma tecnologia. Ela ficou foi tão popular que até os soviéticos aproveitaram o projeto em suas missões. No entanto, a ideia de que os EUA gostam de brinquedos caros e burocracia inútil, enquanto a União Soviética é um modelo de eficiência era atraente demais na época para não virar uma lenda. 

Fonte: hypescience
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