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Como um personagem dos Simpsons publicou um artigo científico em uma revista verdadeira


O engenheiro Alex Smolyanitsky enviou um texto gerado aleatoriamente por um computador como se fosse um artigo científico verdadeiro escrito por dois personagens do desenho animado The Simpsons (junto com um tal de “Kim Jon Fun”) e, surpreendentemente, o documento foi aceito para publicação em duas revistas científicas.

Talvez não tão surpreendentemente assim. Essa não é a primeira vez que algo do tipo acontece.

Smolyanitsky usou o programa SCIgen para produzir um artigo intitulado “’Fuzzy’, Homogeneous Configurations”. O resumo era: “A Ethernet deve funcionar. Neste artigo, vamos confirmar a melhoria da e-commerce. WEKAU, nossa nova metodologia para a correção de erros, é a solução para todos esses desafios”.


Smolyanitsky usou os autores Magaret Simpson e Edna Krabapple, personagens dos Simpsons, além de uma universidade totalmente ficcional (“Universidade Belford”) para ver se essas pistas óbvias seriam captadas pelas revistas. No entanto, duas delas aceitaram o artigo: “Journal of Computational Intelligence and Electronic Systems” e “Aperito Journal of NanoScience Technology”.

Essas revistas pertencem a uma categoria de veículos predadores que oferecem-se para publicar o trabalho de cientistas por uma taxa, mas não fazem realmente a revisão por pares (que é quando especialistas da mesma aérea revisam o artigo para ver se a pesquisa foi conduzida de maneira apropriada e se os resultados são sólidos).

Quando Smolyanitsky foi contatado por essas revistas, apresentou o artigo bizarro, e uma delas aceitou imediatamente o texto. A outra levou um mês para aceitar, talvez como parte de um esforço para fingir que houve a falsa revisão por pares. No entanto, eventualmente também publicou o artigo, cobrando de Smolyanitsky 459 dólares (cerca de 1.200 reais no câmbio atual).

O fato dessas revistas aceitarem o texto é absurdo e engraçado, mas, principalmente, é um sinal preocupante de um problema maior na publicação científica.

A existência dessas revistas duvidosas pode ser rastreada para o início de 2000, quando as primeiras revistas online de acesso aberto foram fundadas. Em vez de ganhar dinheiro com a venda de assinaturas, essas revistas são distribuídas gratuitamente online, e se apoiam em grande parte em taxas pagas pelos pesquisadores para submeter seu trabalho à publicação.

As primeiras revistas online eram e são legítimas, como a PLOS ONE, por exemplo, que rejeitou o artigo sem pé nem cabeça de Smolyanitsky porque ele obviamente falhou a revisão por pares. Mas logo surgiram revistas predatórias atrás apenas de dinheiro (como acontece com tudo no mundo).

Ao longo dos anos, o número dessas revistas explodiu. Jeffrey Beall, bibliotecário da Universidade de Colorado (EUA), mantém uma lista atualizada para ajudar os pesquisadores a evitá-las, e atualmente já existem 550 nomes de veículos fraudulentos nela.

Os cientistas visualizam esta indústria como um enorme problema por diferentes motivos: reduz a confiança na ciência; permite que pesquisadores não qualificados construam seus currículos com trabalhos falsos ou precários; e torna a pesquisa legítima mais difícil para os cientistas, já que eles são forçados a percorrer dezenas de papéis inúteis para encontrar poucos úteis.

Fonte: hypescience
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