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Resultados sem precedentes em novo tratamento para doença celíaca


Pesquisadores australianos alcançaram resultados inovadores em um ensaio clínico utilizando vermes para reduzir os sintomas da doença celíaca. Essa também é uma boa notícia para quem sofre de outras condições inflamatórias, como a asma e a doença de Crohn.

No estudo executado em mais de um ano, 12 participantes foram infectados experimentalmente com 20 larvas do Necator americanus (causador da ancilostomíase e conhecido como verme matador). Em seguida, receberam doses de glúten que aumentavam gradualmente – começando com apenas um décimo de um grama por dia (o equivalente cerca de dois centímetros de espaguete) e chegando, em etapas posteriores, a uma dose diária final de três gramas (75 espaguetes).


“Até o final do ensaio, com os vermes a bordo, os sujeitos da pesquisa estavam comendo o equivalente a uma tigela de tamanho médio de espaguete, sem efeitos nocivos”, disse o imunologista Paul Giacomin, da Universidade James Cook (UJC). “Essa é uma refeição que normalmente provocaria uma resposta inflamatória debilitante, deixando um paciente celíaco sofrendo sintomas como diarreia, cólicas e vômitos”.

Quatro participantes se retiraram do ensaio nas etapas anteriores (por várias razões não relacionadas principalmente ao glúten), mas os oito restantes tiveram benefícios significativos e permanentes. “Os oito que continuaram no estudo conseguiram aumentar a sua tolerância ao glúten em um fator de 60, uma grande mudança”, disse Alex Loukas, chefe do Centro de Biodescoberta e Desenvolvimento Molecular de Terapias da UJC, e um dos principais autores do estudo. “Esta é a clara prova dos benefícios da ancilostomíase no tratamento de doenças inflamatórias”, garante Loukas.

Significativamente, todos os participantes do ensaio clínico rejeitaram a oferta de medicamentos que eliminariam os vermes. “Todos eles optaram por manter seus vermes e continuam a relatar uma boa saúde. No entanto, eles foram orientados a retornar a uma dieta isenta de glúten após o estudo”, explica o pesquisador.

A eficácia dos helmintos (vermes parasitas) no tratamento de doenças inflamatórias reside na sua capacidade de redirecionar a resposta imunológica humana – uma habilidade que lhes permite sobreviver e prosperar no intestino humano, sem comprometer a capacidade do hospedeiro para combater outras doenças infecciosas.

A infestação por ancilostomídeos pode ser devastadora em países tropicais mais pobres, onde Loukas e Giacomin estão trabalhando em uma vacina para ajudar 740 milhões de pessoas infectadas. “Com a falta de saneamento, infecções repetidas resultam em perda de sangue, que pode causar anemia grave. Para recém-nascidos, crianças, gestantes e desnutridos, o resultado pode ser uma doença debilitante ou morte”, relata Loukas. “As pessoas podem receber tratamento, mas depois elas se reinfectam. Uma vacina poderia quebrar esse ciclo”.

Por outro lado, condições inflamatórias, tais como a doença celíaca, doença inflamatória do intestino, doença de Crohn e asma, são menos comuns nos países em desenvolvimento, mas abundantes em nações desenvolvidas onde helmintos foram erradicados. “Em um em cada 70 australianos que sofrem de doença celíaca, o sistema imunológico reage anormalmente ao glúten, resultando em danos no intestino delgado”, conta o gastroenterologista John Croese, do Hospital Príncipe Charles, em Brisbane (Austrália).Os sintomas variam, sendo que os mais comuns são problemas gastrointestinais. Outros sintomas, alguns mais graves, podem incluir fadiga, anemia, perda ou ganho de peso inexplicado, dores nas articulações ou nos ossos e inchaço da boca ou da língua”.

Loukas diz que sua equipe de pesquisa tem uma ótima oportunidade em mãos. “Nós estamos trabalhando em uma vacina para quebrar esse ciclo de reinfecção em países em desenvolvimento e em um tratamento para as condições inflamatórias que são um problema crescente de primeiro mundo”.

Os pesquisadores acreditam que a chave para a habilidade anti-inflamatória do ancilóstomo se encontra dentro das proteínas que os vermes segregam. Eles estão se esforçando para encontrar essas moléculas para futuras pesquisas, com o objetivo final de desenvolver uma nova classe de drogas anti-inflamatórias.

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