Google+ Lagartixa da ilha de Madagascar apresenta camuflagem surpreendente | Curiosidades, Dicas e Humor

Lagartixa da ilha de Madagascar apresenta camuflagem surpreendente


“O que é que há, pois, num nome?”, Shakespeare perguntou uma vez em “Romeu e Julieta”. “Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem”.

Enquanto se declara para sua amada, Romeu tenta convencê-la de que os sobrenomes de suas famílias, inimigas históricas, pouco importavam. Porém, algumas coisas não são batizadas à toa, como a bela lagartixa-satânica-cauda-de-folha. Este pequeno réptil tem uma camuflagem surpreendente, com uma cauda que inclui atém mesmo pedaços faltando que parecem ter apodrecido. Uma verdadeira prova da seleção natural.


Conhecida pelos cientistas como Uroplatus (que significa “cauda plana”) phantasticus, a lagartixa-satânica-cauda-de-folha é uma das 14 espécies em seu gênero, que também inclui a lagartixa-rabo-de-folha-de-musgo. Elas são encontradas apenas em Madagascar e só aparecem à noite, para caçar.

Acredita-se que elas estejam principalmente atrás de insetos, porém pouco se sabe ainda sobre sua dieta na natureza. Em cativeiro, no entanto, as lagartixas-satânicas-cauda-de-folha se alimentam de quase tudo que conseguem matar, incluindo grilos, moscas, aranhas, baratas e caracóis. “As grandes espécies, como a Uroplatus fimbriatus e a Uroplatus giganteus, até consomem ratos jovens”, explica o herpetólogo da Coleção Estadual Bávara de Zoologia, Frank Glaw.


Mas não vá achando que esse bicho é um assassino feroz. O pequeno réptil tem vários predadores para chamar de seus, incluindo pássaros, cobras e ratos. Se decidirem não fugir e resistir às ameaças, as lagartixas encaram seus inimigos e, de repente, escancaram a boca, gritam, mostram a língua avermelhada e mucosa e tentam morder – não é de admirar que os moradores locais tenham muito medo delas. Elas também agitam suas caudas para confundir o predador potencial e, caso isso falhe, podem saltar com destreza de galho em galho ou em linha reta até a manta de material orgânico que cobre o chão da floresta.


Porém, a melhor escolha é mesmo evitar ser visto. E aí, é claro, é onde sua incrível camuflagem realmente entra em jogo. Não só o rabo da lagartixa parece uma folha morta – o mesmo acontece com o seu corpo.

“Uma linha ao longo das costas, aliada a veias que parecem ranhuras e estruturas da pele completam a perfeita imitação de uma folha morta”, conta Graw. A sua coloração ainda é incrivelmente variada, atingindo vários tons de bege, cinza e marrom, muitas vezes com uma mistura que parece líquen, ou manchas esverdeadas que se parecem com musgo. “Esta variabilidade garante que elas tenham um equipamento adaptado para as diferentes estruturas em seu habitat”.


Reforçando essa camuflagem, as lagartixas-satânicas-cauda-de-folha têm um comportamento que ajuda no disfarce. Elas passam o dia penduradas, imóveis, pendendo de ramos ou aconchegadas entre folhas mortas, muitas vezes torcendo seu rabo de folha em torno de seus corpos. Outras espécies maiores no gênero Uroplatus têm ainda outra estratégia para dormir com segurança durante o dia, achatando seus corpos contra troncos de árvores e galhos, fazendo bom uso dos seus pés aderentes (um poder mágico derivado de incontáveis estruturas semelhantes a pelos que permitem que algumas lagartixas consigam brincar com a natureza até mesmo de ponta cabeça em painéis de vidro). Franjas e abas ao longo das bordas de seus corpos ajudam a “apagar” seus contornos e sombras, dissolvendo as lagartixas na casca das árvores.

“Ambas as estratégias, de imitar folhas mortas ou a casca das árvores, são, obviamente, muito bem sucedidas para enganar os predadores diurnos que dependem de sua visão, especialmente pássaros”, diz Graw. “Uma estratégia similar evoluiu nas lagartixas rabo-de-folha australianas, que se assemelham às Uroplatus, embora não estejam intimamente relacionadas. No entanto, continua a ser notável que estas estratégias não tenham evoluído mais frequentemente entre lagartixas de outras partes do mundo”.


Vamos falar de evolução

Mas como diabos tal camuflagem tão ridícula e perfeitamente complexa poderia evoluir? É de imaginar que algum ser do Paraíso pensou: “É, essa é uma roupa linda, essa é a escolhida”. Na realidade, a lagartixa-satânica-cauda-de-folha e suas espécies irmãs são algumas das manifestações mais marcantes do princípio da seleção de natural descrito por Darwin.

Antes de mais nada, é uma dura realidade da vida que alguns animais produzam mais descendentes do que podem sobreviver. Um exemplo deste tipo de seleção ocorre com o rato marsupial australiano, cujos machos fazem tanto sexo que ficam cegos e morrem – e ainda devem se considerar sortudos. As fêmeas dão à luz a mais filhotes do que conseguem amamentar. Os mais fortes chegam às tetas e sobrevivem, enquanto os outros perecem.


Também é verdade que as crias nascem com variações, assim como você e seus irmãos têm comportamentos e aparências diferentes. E essas variações acabam adequando o organismo de forma melhor ou pior para o meio ambiente. Bichos com a variação, digamos, de parecer um pouco como as folhas em que vivem, têm uma melhor chance de sobreviver (por ser mais provável que escapem dos olhares de um predador) para passar esses genes mágicos adiante.

É assim que uma espécie se adapta, muito lentamente, ao seu ambiente ao longo do período evolutivo. Isso vem acontecendo na Terra há bilhões de anos e a nossa amiga lagartixa-satânica-cauda-de-folha é um dos seus triunfos mais fantasticamente moldados.


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About Lello Pensador

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