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Conheça o misterioso buraco devorador de pessoas


A primeira vez que eu ouvi falar desse buraco de areia, pensei que tinha acontecido no deserto do Saara, ou pelo menos em algum lugar mais perto das enigmáticas pirâmides do Egito. No entanto, o misterioso buraco devorador de pessoas foi registrado no parque nacional de dunas Lakeshore, em Indiana, nos Estados Unidos.

E o que era para ser uma tarde tranquila à beira mar acabou se tornando um verdadeiro pesadelo para o garoto Nathan Woessner, de 6 anos de idade. Enquanto estava passeando com sua família pelas areias de Mount Baldy, uma das dunas do parque norte-americano, ele desapareceu de repente, ao ser praticamente engolido por um buraco profundo. Seus pais não o viram cair, mas ouviram os gritos e não conseguiram o puxar para fora. Tudo o que viram foi o menino afundando cada vez mais.

Para resgatá-lo, foram necessárias três horas de trabalho de 50 bombeiros e uma equipe de escavadores, que tiveram que cavar aproximadamente 3,4 metros de areia e sedimentos para conseguirem puxar o corpo de Woessner. Foi uma verdadeira corrida contra o tempo. O menino ficou em estado grave, mas sobreviveu à queda.


Não foi o único

Por mais estranho que isso pareça, esse buraco não foi o único a ser registrado na região. Mais buracos devoradores de pessoas apareceram na mesma duna Mount Baldy, o que acabou forçando os funcionários – em acordo com o Serviço Nacional de Parques (SNP) dos Estados Unidos – a fechar aquela região, localizada ao sudeste de Chicago, às margens do Lago Michigan.


Mas por que esses buracos perigosos apareceram de repente nessas dunas?

O incidente afetou profundamente a geóloga Erin Argyilan, professora de geociências na Indiana University Northwest. Ela estava no local coletando dados para uma pesquisa quando ouviu os gritos dos pais de Woessner. “Chorei por três dias”, confessou Argyilan, que estava grávida na época e foi incapaz de ajudar no resgate do menino. “Eu não poderia ajudar no momento. Então, agora eu tenho que fazer o que posso para saber por que isso está acontecendo”, declarou.

Outros especialistas também estão interessados nos buracos de areia de Mount Baldy. Além de representarem um perigo evidente, tem um comportamento um tanto curioso. Alguns desses buracos eram tão profundos que não poderiam nem ser medidos com as fitas métricas dos pesquisadores. Muitos deles começaram a aparecer desde o ano passado e tem uma vida relativamente curta. Apenas um dia depois de se formarem, eles entram em colapso e são preenchidos com areia novamente.

É areia movediça?

Pode ser que sim, pode ser que não.

Segundo os cientistas, a areia movediça – aquela velha protagonista de filmes de aventura -, existe de verdade, mas não é tão mortal quanto parece ser nos longas. Ela é uma mistura de areia e água que parece estar em estado sólido, quando vista de cima. Mas se um objeto pesado passar por cima dela, como um ser humano ou um animal, pode “perturbar” o sistema – que entra em colapso e acaba ficando líquida. Depois, a mistura tende a se solidificar, prendendo as pernas de um animal na areia molhada e pesada.

De acordo com os pesquisadores do assunto, há também formas secas de areia movediça. Experimentos em condições controladas de laboratório mostraram que a areia artificial pode sugar um objeto que esteja sob sua superfície, mas este tipo de areia movediça seca nunca foi de fato observada na natureza, e não está provado que os buracos de Mount Baldy sejam um exemplo deste caso.

Usando radar de penetração no solo

Equipes do Serviço Nacional de Parques (SNP) dos Estados Unidos têm usado um radar de penetração no solo para ir a fundo nessa questão e tentar entender como os buracos devoradores de pessoas surgiram e por quê. Ao analisar os dados coletados, eles verificaram uma camada de solo enterrada sob as areias movediças que agora cobrem Mount Baldy. De acordo com declarações do SNP, essa camada de solo ficou exposta à superfície durante parte do século XX.

“Essa duna em particular tem uma história complicada”, disse a professora Argyilan referindo-se a Mount Baldy. Além de ter tido sua areia extraída para a fabricação de frascos de vidro, há também estruturas artificiais, como uma velha escadaria de madeira, enterradas sob a superfície da duna.

Como prometido, Argyilan se aprofundou na questão em busca de respostas. A geóloga examinou fotografias históricas da área para determinar o que mudou desde 1930. As árvores e grama que cobriam Mount Baldy agora também estão enterradas.

E estas descobertas levaram os pesquisadores ao que eles consideram sua hipótese principal: alguns itens enterrados sob a superfície de areia – como árvores, estruturas artificias ou detritos – foram afundados pelo movimento rápido da areia da duna durante o final da década de 1900. A idade dos materiais e as condições de chuva durante a primavera de 2013 podem ter forçado esses materiais a se tornarem instáveis, caindo e criando aberturas para a superfície.

O Serviço Nacional de Parques continua a usar os dados coletados pelos radares para determinar o que está por baixo do solo de Mount Baldy. Assim, podemos esperar explicações mais esclarecedoras em um futuro próximo. Por enquanto, a área permanece proibida para os visitantes. 

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