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Cientistas descobriram porque algumas pessoas não param de comer


Todo mundo tem um amigo que parece que só para de comer para dormir. Contudo, pesquisadores descobriram que a responsável por tanto apetite pode ser a falta de proteína.

De acordo com uma nova pesquisa da Universidade de Charles Perkins Centre de Sydney (Austrália), o apetite instintivo dos seres humanos para a proteína é tão poderoso que somos impelidos a continuar a comer até chegarmos a quantidade certa destes nutrientes, mesmo que isso signifique consumir muito mais energia do que precisamos.
Publicado online no portal Obesity Reviews, a pesquisa mostra que o impulso primordial por uma dieta rica em proteínas pode ser um fator-chave na epidemia de obesidade global, com o consumo total de energia dos indivíduos aumentando à medida que a porcentagem de proteína em suas dietas diminui.

Independentemente do peso, idade ou período de tempo de uma dieta, a pesquisa constatou pela primeira vez que a redução do percentual de proteína irá resultar em aumento da ingestão total de energia, contribuindo para o excesso de peso e obesidade. A pesquisa compila os resultados de 38 testes experimentais, levando em conta um amplo espectro de faixas etárias, índices de massa corporal (IMC) e durações da dieta.

“Descobrimos que, independentemente da sua idade ou IMC, seu apetite por proteína é tão forte que você vai continuar comendo até obter proteína suficiente, o que pode significar que você comerá muito mais do que deveria”, explica o Dr. Alison Gosby, principal autor da pesquisa e pós-doutorado na Universidade do Centro Charles Perkins de Sydney.

À medida que as dietas mudam para uma maior proporção de alimentos que têm uma maior quantidade de carboidratos ou gordura, a proteína disponível é reduzida e o consumo de energia aumenta necessariamente. “Por exemplo, quando você consume coisas como refrigerantes, que têm uma proporção de proteína bastante baixa, mas são ricos em calorias, o consumo de energia vai aumentar, porque você vai precisar continuar comendo para obter a proteína que você precisa. Se você adicionar um refrigerante no seu almoço, você adiciona um monte de calorias, mas ainda vai ter que comer a mesma quantidade de comida”.

“A força do nosso impulso nutricional para a proteína é assustador dentro do nosso ambiente nutricional, no qual existe um grande número de alimentos com baixo teor de proteína consumidos regularmente”, explica o Dr. Gosby.

Enquanto o Dr. Gosby não recomenda o aumento da ingestão de proteína – a maioria das pessoas consome a quantidade certa de proteína, mas comem demais até obtê-la -, a maior compreensão de apetite fornecida pela pesquisa pode ter impactos profundos sobre a concepção de dietas saudáveis e eficazes para a perda de peso, sobre as políticas de rotulagem de alimentos, os sistemas de produção de alimentos e marcos regulatórios.

“Nós mostramos que, quando as pessoas estão tentando perder peso, elas precisam olhar para a composição de macronutrientes, não apenas calorias. Se você cortar calorias, mas não considerar a ingestão de proteína, você vai estar com fome e sua dieta não vai ser bem sucedida”.

O Dr. Gosby ainda afirma que as descobertas podem fornecer uma nova ferramenta na luta contra o excesso de peso e obesidade, que afeta atualmente milhões de pessoas no mundo todo. “Nós não defendemos uma dieta rica em proteína, que geralmente é insustentável, mas incentivamos as pessoas a seguirem uma dieta equilibrada e ter uma alimentação saudável. Preparar suas próprias refeições, em vez de depender de alimentos processados de alta densidade energética e baixo teor de proteína, poderia fazer uma enorme diferença para a quantidade de alimento que você precisa consumir”, finaliza o especialista. 

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