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A extinção estaria ocorrendo mil vezes mais rapidamente por causa dos humanos?


As espécies de seres vivos do planeta estão se extinguindo pelo menos 1.000 vezes mais rápido do que o fariam sem a influência humana, segundo uma nova pesquisa publicada no dia 29 de maio na revista Science. A boa notícia é que ainda há tempo para salvar o mundo de um desastre – e a tecnologia pode ser de grande ajuda nessa batalha.

De acordo com esta nova análise, entre 100 e 1.000 espécies – a cada milhão delas – são extintas por ano. Antes dos seres humanos entrarem em cena, a taxa de extinção típica era provavelmente uma extinção a cada 10 milhões de espécies a cada ano, afirma o pesquisador Stuart Pimm, biólogo da Universidade de Duke, nos Estados Unidos.

“Estes números representam um grande aumento em relação às estimativas anteriores, que consideravam que as espécies estavam sendo extintas a uma taxa 100 vezes mais rápida do que o habitual, e não mil vezes mais rápida ou mais”, alerta Pimm.

Apesar desse cenário apocalíptico, Pimm diz que sua pesquisa é “otimista”. Novas tecnologias e o conceito conhecido como “citizen scientists” (cidadãos cientistas, em tradução livre), no qual pessoas comuns, sem formação científica, são incentivadas a ajudar a conservar e catalogar espécies de animais, por exemplo, estão permitindo que os preservacionistas direcionem seus esforços melhor do que nunca.

“Embora as coisas estejam ruins, e este trabalho mostra que elas são realmente piores do que pensávamos, nós estamos em uma posição muito melhor para fazer algo a respeito”, vislumbra o pesquisador.

Compreendendo a extinção

Pimm e seus colegas têm trabalhado para entender o efeito da humanidade sobre o resto das espécies que compartilham o planeta conosco. Na história da Terra, cinco extinções em massa dizimaram mais da metade da vida no planeta. Hoje, os cientistas debatem se a humanidade está causando o sexto ciclo de extinção.

Esta questão é mais complicada do que pode parecer. Certamente , os seres humanos têm impulsionado espécies como o pássaro dodô, o tigre da Tasmânia e o pombo-passageiro à extinção. Não há dúvida de que o contínuo desmatamento e as mudanças climáticas vão destruir ainda mais espécies, incluindo algumas que a humanidade nunca vai ter a chance de descobrir – os pesquisadores não sabem ao certo quantas espécies existem no planeta. Cerca de 1,9 milhão já foram descritas pela ciência, mas as estimativas de quantas vivem lá fora variam de 5 a 11 milhões.

Saber como muitas espécies são extintas sem a influência humana é outro desafio. O registro fóssil, afinal, é frustrantemente incompleto. Para obter uma estimativa baseada na ciência, Pimm e seus colegas usaram dados de filogenia molecular, que utiliza a informação do DNA para construir uma teia de relações entre as espécies. Árvores filogenéticas podem mostrar a rapidez com que as espécies se diversificam. Como as espécies normalmente não se extinguem mais rapidamente do que se diversificam para formar novas espécies, essas árvores mostram o limite máximo das taxas de extinção normais. Por esse método, os pesquisadores chegaram à estimativa de uma extinção por 10 milhões de espécies a cada ano.

Em seguida, os pesquisadores analisaram as taxas de extinção contemporâneas. Eles observaram animais conhecidos pela ciência, calculando quanto tempo eles tendem a sobreviver após a sua descoberta (ou se eles ainda continuam existindo). Estas taxas levaram à estimativa de 100 extinções ou mais por milhão de espécies a cada ano – o que não se revelou uma grande surpresa.

“Não é uma coisa boa, mas para a comunidade que estuda essas coisas, nós meio que sabíamos para onde as coisas estavam indo”, afirma o pesquisador Clinton Jenkins, pesquisador do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), em Nazaré Paulista, em São Paulo.

O que dá para fazer

Apesar das más notícias, Jenkins e Pimm concordam que há esperança. Mesmo que muitas espécies ameaçadas estejam em países sem muitos recursos para protegê-las, a capacidade dos cientistas para acompanhar e entender as ameaças nunca foi melhor, de acordo com os especialistas. As imagens de satélite e rastreamento global de desmatamento podem revelar a perda de habitat em tempo quase real. E sites como o biodiversitymapping.org (criado por Jenkins) revelam pontos de biodiversidade para aves, mamíferos, anfíbios e muito mais.

“Provavelmente, menos de 10% [do território terrestre] concentra a maioria das espécies que estamos realmente em risco de perder”, afirma Clinton Jenkins. “Então, se incidirmos sobre estas áreas, podemos resolver a maior parte do problema”, afirma.

“Cientistas cidadãos” podem ajudar, também, de acordo com os pesquisadores. Câmeras de smartphones permitem que as pessoas tirem fotos de seres vivos e reportem suas descobertas aos grupos de preservação. Pimm e Jenkins recomendam o site iNaturalist, que começou como projeto de mestrado de alunos de pós-graduação na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

O site permite aos usuários fazer upload de fotos de plantas e animais, marcando-os com a localização do avistamento e a espécie que provavelmente pertence, o que outros usuários, em seguida, podem confirmar. O site está ligado à lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), que monitora as espécies ameaçadas.

Tais observações de pessoas comuns podem ajudar a definir os números e a variedade das espécies, que por muitas vezes estão desatualizados na literatura científica. Esses dados, por sua vez, podem revelar se os projetos de preservação estão funcionando e quais áreas estão em risco.

Além disso, há outras formas de ajudar. Cientistas do mundo todo têm implorado e, sejamos honestos, parece ser uma boa ideia que as pessoas votem e incentivem políticas públicas que diminuam o impacto da mudança climática, que está atingindo principalmente os oceanos, elevando o pH da água e dissolvendo as conchas de muitos animais marinhos. As pessoas também podem incentivar os governos a ligarem uma reserva natural em outra, atitude que ajudaria a diminuir a taxa absurda de extinções encontradas no estudo.

Pimm diz que áreas protegidas, a “linha de frente da preservação”, têm mantido as taxas de extinção de mamíferos, aves e anfíbios 20% mais baixas do que o normal sem esses refúgios. Quase 13% das terras do planeta são preservadas, mas apenas 2% do oceano é parte de um refúgio.

“As pessoas costumam dizer que estamos no meio da sexta extinção em massa. Nós não estamos no meio – estamos à beira dela e agora temos ferramentas para prevenir isso”, anima-se o cientista. 

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